Este curso pretende analisar, numa perspetiva teórico-prática, a utilização de sistemas de inteligência artificial no exercício das profissões forenses e na administração da justiça.
Na primeira sessão, partindo de uma caracterização dos legal chatbots atualmente disponíveis, procurar-se-á compreender as suas potencialidades e limitações, distinguindo a sua utilização por profissionais do foro da sua utilização por cidadãos sem formação jurídica, com especial atenção aos riscos de erro, de “alucinação” e de violação de deveres deontológicos e de proteção de dados.
O curso incidirá ainda sobre as relações entre a inteligência artificial e a prova, analisando tanto a IA enquanto instrumento de produção, tratamento e análise de prova como os problemas suscitados pela prova gerada ou manipulada por IA, designadamente os deepfakes.
Por fim, será discutido o papel da IA na decisão judicial, confrontando as possibilidades de apoio à decisão com as exigências de independência, fundamentação e garantia de um processo equitativo, à luz do Regulamento Europeu da Inteligência Artificial.
A segunda sessão, de natureza eminentemente prática e demonstrativa, visará mostrar como a inteligência artificial pode apoiar a análise de um processo e onde é que esse apoio deixa de ser fiável.
Partir-se-á de um caso fictício na fase de investigação, com os documentos, comunicações e registos que tipicamente o compõem, e demonstrar-se-á ao vivo como um assistente de IA pode auxiliar a identificar os elementos relevantes, construir cronologias, relacionar factos dispersos e comparar versões de um documento.
Em paralelo, mostrar-se-á como estes assistentes erram: inventam factos, acórdãos e fontes, defendem com igual convicção a tese que lhes pedem, respondem de forma diferente à mesma pergunta e podem ser manipulados por documentos adulterados para os enganar.
A partir daí discutir-se-á o que é, na prática, uma utilização eficaz, eficiente e eticamente responsável: verificar e documentar os resultados; proteger o segredo de justiça, o sigilo profissional e os dados pessoais; ser transparente perante o tribunal e as partes; manter o juízo humano no centro da decisão.
Esta segunda sessão complementará o enquadramento jurídico-dogmático da primeira sessão do curso.
Destinatários
Este curso é dirigido a advogados, magistrados judiciais e do Ministério Público, solicitadores, agentes de execução, funcionários de justiça, notários, órgãos de polícia criminal, juristas da Administração Pública e de empresas, estudantes e demais interessados em adquirir competências teóricas e práticas sobre esta temática.
Para a participação nesta formação, não se pressupõem conhecimentos técnicos de informática.
Metodologia de formação
Este curso de formação tem a duração de 6 horas (repartido em 2 sessões de 3 horas), sendo ministrado a distância em modo síncrono (em tempo real), com transmissão pela plataforma Zoom.
Haverá oportunidade de interação entre os formadores e participantes. Antes da formação serão enviadas indicações sobre o modo de participação – que é muito simples e intuitivo, bastando dispor de computador com acesso a internet e browser atualizado
Os materiais de apoio bibliográfico serão disponibilizados na plataforma Moodle, assim como, após edição, a gravação da sessão de formação durante 3 semanas.
O curso será realizado com o número mínimo de 12 participantes.
Será enviado um certificado de frequência.
Organização
UNIFOJ – Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
unifojcursos@ces.uc.pt
(+351) 239 855 570 / (+351) 914 140 187
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